MUNICÍPIO DE SÃO BERNARDO DO CAMPO
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO
DEPARTAMENTO DE AÇÕES EDUCACIONAIS
DIVISÃO DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL
EMEB PASTOR ROBERTO MONTANHEIRO



PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO

2020

EMEB PASTOR ROBERTO MONTANHEIRO







III CARTA DE INTENÇÕES

À toda comunidade escolar:
“Mas o que é uma “Proposta Pedagógica” ou “Projeto Político Pedagógico”? É a busca de construção da identidade, da organização e da gestão do trabalho de cada instituição educativa. O projeto reconhece e legitima a instituição educativa como histórica e socialmente situada, constituída por sujeitos culturais, que se propõem a desenvolver uma ação educativa a partir de uma unidade de propósitos. Assim, são compartilhados desejos, crenças, valores, concepções, que definem os princípios da ação pedagógica e vão delineando, em um processo de avaliação contínua e marcado pela provisoriedade, suas metas, seus objetivos, suas formas de organização e suas ações.”Vitória Faria e Fátima Salles

Em vistas à Gestão Democrática é através do PPP que toda a comunidade escolar vem documentando o desenvolvimento do trabalho coletivo que fortemente estamos tentando estabelecer, com responsabilidades pessoais e conjuntas que são assumidas para execução dos objetivos estabelecidos.
Este documento contém basicamente os espaços e tempos que favorecem processos em que a infância acontece, a forma de organização de trabalho dos funcionários, o nosso currículo. É uma tomada de consciência dos problemas e das possíveis soluções e também um instrumento que reflete a proposta educacional da escola.
Temos nos empenhado ano a ano para a construção de um documento vivo, que mostre de fato o trabalho desenvolvido por todos os sujeitos e as experiências vivenciadas pelos pequenos. Esforçamo-nos para revisitá-lo a qualquer tempo e não só no início do ano letivo. De acordo com as ações que vamos desenvolvendo, conforme experiências significantes que vão sendo realizadas complementamos com anexos.
Desde 2017, todos os segmentos da creche foram gradativamente inseridos nos processos de construção do PPP, retratando de maneira mais efetiva o trabalho desenvolvido nesta unidade.
Boa leitura!
Equipe Pastor Roberto Montanheiro

IV – ONDE ESTAMOS?


                   
Consideramos este levantamento muito importante, pois oportuniza aos profissionais da escola e famílias recém-chegadas ao bairro, um melhor conhecimento dos serviços disponíveis, lugares para lazer, cultura, escolas de todos os níveis, enfim um norteador da nossa comunidade e uma fonte de conhecimento para identificarmos o quanto é desenvolvido nosso bairro e como poderemos atuar nesta realidade nos remetendo a eles em nosso planejamento pedagógico.
O ponto central do logradouro é o Largo São João Batista, onde fica situada a Igreja São João Batista. Esta praça durante muito tempo foi o ponto de referência cultural e de lazer do bairro. Ao longo do tempo passou por transformações, durante muitos anos foi utilizado como estacionamento rotativo e ficava também a Base da Polícia Civil. Em 2018, após mais uma reforma e readequação retirou-se o estacionamento rotativo que era disponibilizado aos munícipes e modificando a Base de Segurança da Polícia Civil para o outro lado da rua, sendo agora uma ampla praça com bancos e um ponto de táxi. Além dessa base, o bairro conta com policiamento feito por oficiais em viaturas, abriga a 2ª Delegacia de Polícia Civil de São Bernardo do Campo com funcionamento de 24 horas. Há ainda a base da Guarda Civil Municipal – GCM situada à Rua Londrina.
A comunidade conta com outras oito Escolas Municipais de Educação Básica, sendo que três atendem crianças de 4 a 5 anos, Vital Brasil, Olavo Bilac e Lauro Gomes, estas duas últimas também atendem quando há vaga crianças de 2 a 3 anos. Há também uma Creche que atende somente crianças de infantil II em período integral, Kiyoshi Tanaka, outras três unidades municipalizadas que atendem exclusivamente alunos do primeiro ciclo do Ensino Fundamental, Otílio de Oliveira, Kazuê Fuzinaka e Viriato Correia – esta atende também a Educação de Jovens e Adultos e quatro Escolas Estaduais que atendem o Ensino Fundamental II e Jovens e Adultos do Ensino Médio, Cynira, Lauro Gomes de Almeida - CELGA, Anésia, Rudge Ramos e Amadeu Olivério.
A Organização Não Governamental – ONG, Projeto Pequeno Cidadão é também subsidiada através de convênio e atende o contra turno das escolas de primeiro ciclo do Ensino Fundamental I. Há duas universidades, Metodista e Uniban/Anhanguera, com anfiteatro e biblioteca. Prestam atendimento psicológico, fonoaudiológico, odontológico, fisioterapia, veterinária, orientação nutricional e faculdade da terceira idade.
No bairro há o Teatro Municipal Lauro Gomes e também um Anfiteatro dentro da Escola Estadual CELGA e a Biblioteca Pública Municipal Malba Tahan.
Temos uma praça central conhecida popularmente como Praça dos Meninos, que foi construída para homenagear a comunidade nipônica do bairro, abriga em seu interior uma pista para caminhada, um parque com brinquedos variados, alguns aparelhos para ginástica e um pequeno lago com carpas e tartarugas. Há também o Parque Salvador Arena, que conta com amplo espaço arborizado, aquário de água doce, pista de caminhada, playground, lanchonete, teatro de arena e aparelhos para ginástica. Oferece à comunidade, nos finais de semana, programação cultural como, apresentação de grupos musicais, Orquestra Filarmônica do Município, Banda Municipal além de peças teatrais.  Nele podemos apreciar também painéis produzidos pelo artista plástico da região da Paulicéia, Adélio Sarro. Este parque tem o nome do fundador da Indústria Termomecânica, com a sede neste bairro. Ao seu redor há outras pequenas praças, como a Praça do Skate e Praça do Futsal.
O Bairro tem dois times de futebol: o Esporte Clube Nacional e o Esporte Clube Vila Vivaldi, e também dois clubes particulares, mas com atividades e eventos abertos a comunidade, o Clube dos Meninos e o Tênis Clube São Bernardo. Há ainda a escola de samba Grêmio Recreativo da Vila Vivaldi.
Temos no bairro uma Unidade de Pronto Atendimento – UPA, que atende emergências e urgências médicas, o Centro Regional de Especialidades, o Centro de Atendimento a Terceira Idade, o Hospital e Maternidade Municipal – HMU, duas Unidades Básicas de Saúde – UBS municipais, um Centro de Atenção Psico Social Infantil -  CAPSI,  dois hospitais particulares, sendo o Hospital e Maternidade Itacolomy e o Hospital Puer, várias clínicas particulares médicas, odontológicas, farmácias e drogarias.
O comércio é amplo e diversificado contando com 04 feiras livres que funcionam em dias e lugares alternados, sendo uma noturna, quatro supermercados, um mercado municipal, um mini shopping, várias quitandas, mercearias e mini mercados, lojas de calçados, perfumarias, restaurantes, bares, brechó, pizzarias, sorveterias, açougues, adega e padarias.
O bairro conta com  igrejas católicas,  centros espíritas, templo de Seicho-No-Ie, templo da Igreja Metodista e Presbiteriana e igrejas de culto protestante.
Também há o “Movimento Escoteiro”, que funciona na Universidade Metodista e outro próximo aos três postos na Avenida Senador Vergueiro.
Há duas Agências do Correio, a Subprefeitura de Rudge Ramos, dois Cartórios e Hortas do Projeto da Eletropaulo, estas margeiam toda a Avenida Vivaldi onde fica a escola.


V – NÓS TEMOS UMA HISTÓRIA...


A EMEB Pastor Roberto Montanheiro chamada um dia “Casinha da Vila Vivaldi” atende a Declaração Universal dos Direitos da Criança e do Adolescente instituída no país pelo Artigo 227 da Constituição Federal do Brasil e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90), artigo que na sua íntegra diz: “É dever da família da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão” que possibilitaram à creche um novo paradigma do atendimento à infância.
Em 1987, Frei Antônio Luis Araújo, da Paróquia Santa Edwiges, movimentou a comunidade no sentido de conseguir uma casa alugada para funcionar uma primeira célula da creche Vila Vivaldi. Um retrato da história da realidade brasileira, uma época em que a sociedade, especialmente as mães se movimentavam e reivindicavam por espaços para cuidar e educar seus filhos.  Portanto, a creche nasce a partir da iniciativa da comunidade que por meio de uma casinha adaptada para o funcionamento, localizada na Rua São Simão, uma casa de dois quartos, sala, cozinha, banheiros e edícula. Inaugurada no dia 20 de agosto de 1988, nas comemorações do aniversário da cidade de São Bernardo do Campo, mas só passou a funcionar no dia 27 de setembro de 1988.
Devido ao espaço inadequado para uma escola, o atendimento era pequeno e sua capacidade sempre foi de até trinta crianças. No início, atendia um pouco menos deste número, mas, logo atingiu e até ultrapassou essa capacidade, chegando a ter até trinta e cinco crianças atendidas. Como a procura por creche na região aumentava consideravelmente, a comunidade, sabendo de um terreno vazio na Rua Ida Leoni Cleto, mobilizou-se e aproveitando a visita do Prefeito à época, Doutor Maurício Soares reivindicou a construção de uma sede para a creche da Vila Vivaldi; as próprias mães da creche e a população em geral, fizeram vários abaixo assinados pedindo uma nova instalação. Em uma reunião na escola E.E. Amadeu Olivério no ano de 1991 em que o prefeito esteve presente, as mães apresentaram as suas reivindicações pessoalmente, pois havia um terreno em que se almejava a construção da creche e que estava sendo planejada a construção de uma praça. Frente ao impasse e a comprovação da necessidade da construção de uma creche maior, nesta mesma reunião o prefeito se compromete com a construção que se inicia meses depois.
Foram doze meses de construção e em 12 de novembro de 1992 se deu a inauguração oficial do prédio que tinha capacidade para acolher oitenta crianças. A primeira construção contou com quatro salas, sendo uma delas com banheiro conjugado, banheiro coletivo com chuveiro; trocador; vasos sanitários infantis; colmeias e bebedouros.
A creche da Vila Vivaldi surgiu no tempo em que estas eram subordinadas a Secretaria de Saúde e Promoção Social da Prefeitura quando ainda eram vistas como um local apenas de guarda e cuidado para as crianças pequenas oriundas de famílias mais humildes e que os adultos que cuidavam das crianças pequenas não precisavam ter formação específica.
Por volta de 1990 passou-se a ter um quadro de funcionários mais amplo contando com um ajudante geral, uma cozinheira, três monitoras H-7 (sem escolaridade específica), uma monitora H-10 (com 2º grau completo) e um dirigente da unidade podendo ser psicólogo, assistente social ou pedagogo. Com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394 de 1996 os monitores tiveram a oportunidade de cursarem uma especialização, condizente com a formação no magistério e passaram ao título de professores de Educação Infantil.  Com a criação do Estatuto do Magistério surge o cargo de Auxiliares em Educação.
Desde 1991, com a transferência do atendimento de creches municipais para a Secretaria de Educação, muitas mudanças estruturais e do trabalho foram alteradas. A antiga concepção de guarda e cuidado deu espaço a um novo olhar para o processo educacional de crianças pequenas.
A partir de 1994 toda a organização e estruturação do trabalho foi revista, mais direcionada a concepção educacional construtivista interacionista. No início o seu quadro de funcionários era composto por três monitoras H-7 e uma monitora H-10.
No ano de 1998 a capacidade de atendimento às crianças pequenas ampliou-se de 80 para 130 crianças.
Em 2002, com a criação da APM da unidade, passamos a contar com verbas para melhorias da estrutura escolar, compras de materiais didático-pedagógicos, brinquedos, reformas para adequação do prédio. Em 2003 finalizou-se a etapa de construções das 08 salas. Neste mesmo ano houve a terceirização do serviço das cozinheiras.
Em 2008 a escola passou por uma nova readequação dos banheiros, salas, biblioteca escolar, ateliê, brinquedoteca, lavanderia e a sala de reuniões.
Em 2009 a gestão da escola sofreu a primeira grande alteração com o afastamento da dirigente que estava há muito tempo, a partir desta mudança a escola passa por diferentes arranjos de organização de equipe de gestão, havendo grande rotatividade neste cargo e períodos onde profissionais acumularam duas funções, sendo Professor de Apoio Pedagógico.
Em 2010 através do concurso para Coordenadores Pedagógicos a equipe gestora passou a ser constituída por este e o diretor.  Com o processo de remoção no final de 2012, em 2013 coordenação e direção assumem titularidade na creche.
Em 2015 obedecendo a Lei 11.738/2008 que estabelece que os professores tenham um terço de sua jornada de trabalho de 40 horas semanais voltadas para formação, planejamento e atividades afins ao cargo. Outro marco deste ano foi à adesão de parte de funcionários e pais no Projeto Comunidade de Aprendizagem visando à ampliação da gestão democrática e qualificação do ensino. No final deste ano ocorreu a primeira remoção geral da rede dos cargos de auxiliares em educação, oficial de escola, inspetores, etc. que foram incluídos no Estatuto e Plano de Carreira dos Profissionais do Magistério e Servidores da Educação Básica do Ensino Público Municipal devido à alteração dada a Lei 6.316/2013.
Em 2018 avaliamos que o objetivo real do Projeto Comunidade de Aprendizagem não estava sendo atingido, visto que a participação dos pais estava se dando somente na construção do parque coberto e nas reuniões de comissão mista, apenas dois ou três compareciam e os professores utilizavam o HTP. Observamos não fazer sentido visto que os assuntos eram também tratados em outros momentos. Porém, acreditamos que algumas ações são eficazes e validamos a continuidade da Tertúlia Pedagógica não estando vinculada ao projeto.
Neste ano também se iniciou um movimento por parte dos auxiliares em educação junto ao Sindicato dos Funcionários Públicos reivindicando a readequação de sua carga horária para 30 horas semanais, como já está vigorando em outras redes, esta demanda ocorre desde 2014 e visa à qualificação do trabalho e atendimento à criança, vislumbrando momentos formativos que aproximem estes profissionais das questões pedagógicas. Para além, destes qualificadores, está à ergonomia, que retrata a regulamentação do ambiente de trabalho, aliando a saúde mental, produtividade, satisfação profissional, a função desenvolvida pelo auxiliar e monitor em educação. (Norma regulamentadora 17 Ministério do trabalho e Previdência Social).

VI – NO QUE ACREDITAMOS?

Alinhamos nossa prática pedagógica com os conceitos da teoria de aprendizagem chamada sócio interacionista, cujo foco principal é a interação, baseada numa relação dialética entre o sujeito e a sociedade ao seu redor: o homem modifica o ambiente e o ambiente modifica o homem. Pautamo-nos em leituras das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica, da Base Nacional Comum Curricular, e também, em pesquisas sobre os estudiosos que descrevemos a seguir:
Lev Semyonovich Vygotsky, russo, nasceu em 1896 e tornou-se psicólogo e pesquisador. Entendia que a interação com o meio torna o aprendizado real. Desta forma, desenvolveu o conceito de mediação ou aprendizagem mediada, afirmando que a interação possibilita o despertar dos processos internos de desenvolvimento que ocorrem graças ao ambiente cultural. Para ele, o sujeito é interativo, pois adquire conhecimentos a partir de relações intra e interpessoais e de troca com o meio.
Outros conceitos também bastante difundidos pelo pesquisador foram: funções psicológicas superiores, o desenvolvimento e aprendizagem e a zona de desenvolvimento proximal.
As funções psicológicas superiores se referem às experiências que são adquiridas durante a vida de cada sujeito e que são típica e unicamente humanas, como o controle consciente do comportamento, atenção e lembrança voluntária, memorização ativa, pensamento abstrato, raciocínio dedutivo, capacidade de planejamento.
Na relação desenvolvimento/aprendizagem surge o conceito de zona de desenvolvimento proximal, definida como as funções que ainda não se equilibraram no sujeito, mas que estão em processo de maturação e que, com a interferência de outra pessoa mais experiente ou mais capaz (seja uma criança, um adulto, ou um livro, ou determinada brincadeira) se desenvolvem. 
Assim, a zona de desenvolvimento proximal seria a ponte entre a zona de desenvolvimento real (o que já foi consolidado, o que já se alcançou) e a zona de desenvolvimento potencial (o que aquele indivíduo tem condições de aprender), fazendo-a entrar na zona de desenvolvimento real em relação ao novo.
Em nossa realidade o estímulo através do ambiente faz a diferença para o desenvolvimento. Sendo um lugar de cultura mais elaborada, a escola busca propor condições, desafios e estímulos para garantir a aprendizagem de maneira diferente do que as crianças já trazem de sua realidade externa. O professor deve se atentar às características do grupo para a partir de então planejar suas ações, vislumbrando o desenvolvimento global. Nossa prática pede e permite a mediação, intervenção e interação com as crianças em todas as atividades propostas.
Jean Piaget, suíço, nascido em 1896, frequentou a universidade de Neuchátel, quando estudou Biologia e Filosofia e mais tarde, voltou totalmente sua atenção para a Psicologia. Com o nascimento de suas três filhas iniciou o trabalho de sua vida observando-as, brincando e registrando meticulosamente as palavras, ações e processos de raciocínio delas. Ao longo de sua brilhante carreira Piaget desenvolveu diversos campos de estudos científicos: Psicologia de Desenvolvimento, Teoria Cognitiva e o que veio a ser chamado Epistemologia Genética, que influenciam até hoje as teorias de aprendizagem.
Psicologia do Desenvolvimento - Segundo Piaget, há quatro estágios de desenvolvimento cognitivo. O primeiro é o estágio sensório-motor, que vai até os dois anos. Nessa fase, as crianças adquirem a capacidade de administrar seus reflexos básicos para que gerem ações prazerosas ou vantajosas. É um período anterior a linguagem, no qual o bebê desenvolve a percepção de si mesmo e dos objetos a sua volta. O segundo é o estágio pré-operacional, que vai dos dois aos sete anos e se caracteriza pelo surgimento da capacidade de dominar a linguagem e a representação do mundo por meio de símbolos. A criança continua egocêntrica e ainda não é capaz, moralmente, de se colocar no lugar de outra pessoa. O terceiro é o estágio das operações concretas, dos sete aos doze anos, tendo como marca a aquisição da noção de reversibilidade das ações. Surge à lógica nos processos mentais e a habilidade de discriminar os objetos por similaridades e diferenças. A criança já pode dominar conceitos de tempo e número. Por volta dos doze anos começa o quarto estágio, das operações formais. Essa fase marca a entrada na idade adulta, em termos cognitivos. O adolescente passa a ter o domínio do pensamento lógico e dedutivo, o que o habilita à experimentação mental. Isso implica, entre outras coisas, relacionar conceitos abstratos e raciocinar sobre hipóteses.
Teoria cognitiva – Piaget considera que o processo de construção do conhecimento inicia-se com o desequilíbrio entre o sujeito e o objeto. Para ele a origem do conhecimento por parte do sujeito envolve dois processos complementares e por vezes simultâneos. O primeiro é chamado de assimilação e o segundo de acomodação.
Assimilação é o processo pelo qual uma pessoa classifica um novo dado nas estruturas cognitivas prévias. Quando uma criança tem uma nova experiência, ela tenta continuamente adaptar os novos estímulos aos esquemas mentais que ela já possui. Quando esses esquemas mentais prévios não bastam para compreender essa nova experiência, acontece um desequilíbrio.
Acomodação é o processo mediante o qual nosso organismo se modifica, no sentido de adaptar-se às novas exigências. A criança é o próprio agente de seu desenvolvimento, os processos assimilativos estendem seu domínio e a acomodação leva à modificação da atividade. Do equilíbrio desses dois processos advém uma adaptação ao mundo cada vez mais adequada e uma consequente organização mental.
Epistemologia Genética – Piaget criou este campo de investigação como uma teoria do conhecimento, centrada no desenvolvimento natural da criança levando em consideração tempo, espaço, causalidade física, movimento e velocidade.
Através da observação é possível acompanhar em nosso dia a dia os estágios de desenvolvimento citados na teoria de Piaget. Trazemos em nossa rotina a interação com o outro, a percepção de si mesmo e do ambiente a sua volta. Temos ainda a evidência dos processos de assimilação e acomodação quando iniciamos os desafios, o planejamento das atividades e propostas promovendo o desequilíbrio entre o que a criança já sabe e o que virá a construir.
Henri Paul Hyacinthe Wallon, francês, nasceu em 1879, tornou-se filósofo, médico e psicólogo. Ministrou conferências sobre psicologia da criança, considerando o papel da afetividade, criticando a forma agressiva da educação de seu tempo. Acreditava que o processo de evolução do ser humano depende tanto da capacidade biológica do sujeito quanto do ambiente, tendo papel primordial a afetividade no equilíbrio das potencialidades. Ele divide o desenvolvimento infantil em cinco etapas: impulsivo emocional; sensório-motor e projetivo, personalismo; categorial; puberdade e adolescência, sendo que a preponderância da inteligência e afetividade se alternam.
A etapa impulsivo emocional acontece no primeiro ano de vida, quando prepondera a afetividade. O bebê a usa para se expressar e interagir com as pessoas, que reagem a essas manifestações e intermediam a relação deles com o ambiente.
A etapa sensório motora e projetiva, que ocorre entre um e três anos, é o momento em que a criança começa a andar, falar e manipular objetos e está voltada para o exterior, ou seja, para o conhecimento. Sendo, portanto uma fase em que a inteligência prevalece.
Na etapa do personalismo, que cobre a faixa dos três aos seis anos, a tarefa central é o processo de formação da personalidade. A construção da consciência de si, que se dá por meio das interações sociais reorienta o interesse da criança para as pessoas, definindo o retorno da predominância das relações afetivas.
A etapa categorial, por volta dos seis anos, graças à consolidação da função simbólica e a diferenciação da personalidade, realizadas no estágio anterior, traz importantes avanços no plano da inteligência. Os progressos intelectuais dirigem os interesses da criança para as coisas, para o conhecimento e a conquista do mundo exterior, imprimindo às suas relações com o meio a preponderância do aspecto cognitivo.
No estágio da adolescência, a crise pubertária rompe a tranquilidade afetiva que caracterizou o estágio categorial e impõem a necessidade de uma nova definição dos contornos corporais resultantes da ação hormonal. Este processo traz a tona questões pessoais, morais e existenciais, numa retomada da predominância da afetividade.
Wallon considera ainda que a afetividade, que também evolui com o indivíduo, se manifesta em três formas, sendo elas a emoção sem o controle da razão; o sentimento quando há o uso da razão e da linguagem para descrever o que se sente e a paixão quando conseguimos dominar as emoções em função de um objetivo.
A afetividade está sempre presente em todas as nossas ações, permeando nossas interações e desenvolvimento. Em nosso trabalho pedagógico, quando nos preocupamos em estabelecer vínculos afetivos com nossas crianças em que inspiramos confiança e segurança, quando procuramos criar um ambiente acolhedor e ao mesmo tempo estimulante, quando estimulamos a criação de uma identidade de grupo, de pertencimento a este grupo social diverso da família, acreditamos que estamos ecoando as ideias de Wallon.
As crianças que atendemos são bebês e crianças bem pequenas (de 08 meses a 03 anos e 11 meses) consideradas como sujeitos históricos e de direitos e pertencentes a 1ª etapa da Educação Básica.
Compreendemos que estes pequenos, desde o nascimento, buscam compreender e atribuir significado ao seu mundo através de suas ações sobre os objetos e das interações que objetivam não só a satisfação das necessidades básicas, como também a construção de novas relações sociais, com o predomínio da emoção em todas as ações porque crianças pequenas são seres humanos portadores de todas as melhores potencialidades das espécies.
Através das interações sociais que estabelecem com diferentes parceiros as crianças ampliam suas experiências criando e recriando seu contexto cultural. Estas experiências são histórica e culturalmente produzidas nas relações que estabelecem com o mundo material e o social, mediadas por parceiros mais experientes, também as professoras e os professores tem, nas experiências conjuntas com as crianças, excelente oportunidade de se desenvolverem como pessoas e como profissionais. Desta forma, buscamos nos pautar pela qualidade ao oferecer propostas e na interação com as crianças, a fim de ampliar seu horizonte e levá-la a formar sua subjetividade e pertencer ao meio social.
Entendemos a infância como a primeira etapa da vida do ser humano, permeada por descobertas: é o tempo da formação da personalidade. E para essa formação corroboram a singularidade de cada criança; o meio que está inserida, seja este cultural, histórico, familiar, religioso; os relacionamentos e interações com pessoas e objetos.
Este período é marcado por importantes aquisições: do pensamento, da memória, da marcha, da fala, do controle esfincteriano, da formação da imaginação, da capacidade de fazer de conta e de representar usando diferentes linguagens.
É uma fase também em que a criança vivencia processos descontínuos, marcados por contradições e conflitos. O crescimento biológico traz progressos, chorar, sorrir, movimentar-se, jogar, são manifestações peculiares que dão passagens para outros comportamentos e novas aprendizagens.
Desejamos que esse encontro de gerações, adultos e crianças, transmita a tradição cultural e a projeção de novidades de forma prazerosa e respeitosa, trazendo os princípios da ludicidade, continuidade e significatividade para o nosso cotidiano.
A comunidade escolar é formada pelas crianças, suas famílias, os educadores e demais funcionários, bem como inclui o entorno onde está localizada. Todos esses agentes com suas histórias de vida, conhecimento cultural, diferentes etnias, estruturas e formas de organização familiar e suas opções religiosas, talentos e necessidades constituem a diversidade a ser incorporada, valorizada e respeitada na escola. A parceria e a participação da comunidade proporcionam qualidade no âmbito educativo, segurança aos familiares, laços de amizade e cooperação, reforçando a interação entre todos beneficiando o desenvolvimento das crianças. Além das trocas de informações entre a escola e famílias a respeito dos processos de cuidar e educar as crianças, é fundamental que as famílias compartilhem e discutam suas expectativas, dificuldades e críticas em relação ao trabalho que participam da construção da proposta pedagógica e dos demais processos de decisão da escola.
A escola para Wallon tem o papel essencial no desenvolvimento integral da criança e deverá estar em interação com o meio físico e social em que a criança desenvolva suas atividades. Apresenta-se como um novo meio onde a criança irá estabelecer diferentes relações sociais, poderá oferecer alternativas para a aprendizagem também em outros meios, inclusive a família. No meio escolar a criança terá contato de forma sistematizada com a cultura acumulada, com novas formas de disciplina, além de manter contatos com novas formas de relações grupais.
Assim, consideramos a escola um local de cultura mais elaborada, com saberes formais que acolhem práticas sociais diversas e possibilitam a interação entre diferentes atores, com estratégias planejadas em um espaço e tempo determinados, ampliando o repertório cultural, valorizando e respeitando a singularidade da criança e o meio que a cerca, garantindo os direitos de aprendizagem como conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. É um ambiente que deve garantir infraestrutura apropriada, segurança, higiene e qualidade no atendimento, onde educar e cuidar são indispensáveis.
          Todos os funcionários são educadores e temos de estar em consonância com as ideias de como receber e tratar as crianças que estão saindo pela primeira vez do convívio familiar. Por serem crianças tão pequenas, o cuidar e o educar confundem-se, porém, ambos caminham juntos no trabalho com educação infantil. Neste caminhar encontramos ações recheadas de intencionalidade objetivando o desenvolvimento físico, cognitivo, emocional das crianças, que por sua vez, neste contexto, tornam-se protagonistas do processo de ensino e aprendizagem. O papel da escola e de seus atores é o de promover ações de cuidados pessoais, além das interações e experiências que permitam a criança conhecer a si e o outro formando uma imagem positiva própria e de seu grupo de pertencimento, com a finalidade de desenvolver o ser integral, crítico e pensante que produz cultura e transforma a sociedade a qual está inserido. Segundo Vygostsky, é através da interação com o meio que o indivíduo cria, recria, constrói e descontrói cultura e conhecimentos.